Flame: o guardião de fogo
- Histórias de Tarot
- 25 de mai.
- 4 min de leitura

Um peixe vermelho que queria ver o sol e viu; queria um lago e teve; e agora virou pura energia, podendo ir para onde quiser e na velocidade que quiser
Capítulo 1: O Mundo nos Copos de Vidro
Ele não tinha nome, era só "aquele ali grandão". Um peixe Betta que já tinha nascido em cativeiro.
Vivia em um copo d'água somente vendo seus colegas ao lado. Todos em copos. Todos eles sonhavam em ir para o lago e se esquentarem no sol.
— O dia que eu estiver no lago, eu vou beber tanta água, mas tanta água que vou virar um baiacu!
— Ah! Eu não, eu vou é balançar bem a minha cauda e ter todas as peixinhas do lago pra mim. Glub!
— Homens! Todos com essas ideias pequenas igual ao copo onde vivem! Pois eu quero construir uma casa com pedras brancas roliças e encher de plantas!
E assim passavam dias a fio, querendo conhecer plantas e outros peixes (peixes de cativeiro não têm noção que na natureza existe a possibilidade de virarem jantar).
"Aquele ali" só tinha essa visão e essa vontade. Se sentia extremamente desconfortável pois não conseguia abrir a cauda e as barbatanas por ser grande demais para aquele espaço. Mas não era de falar nada. Sempre quieto, somente sonhando.
— Um dia... um dia sim!
Capítulo 2: O Terremoto e o "Lago" Enorme
Um belo dia, ele teve uma surpresa MUITO ruim: jogaram ele num outro lugar que era menor ainda, e começaram terremotos nesse local. Mal ele conseguia se manter no lugar. Balança pra cá, balança pra lá, chegou a quase ficar de cabeça pra baixo.
—Ah! Era uma vez um peixe vermelho que sonhava com o sol e água fresquinha e... mórreu!
De repente, ele foi jogado em um outro lugar, deu um mergulho daqueles em um espaço enorme! Ficou super assustado e queria se esconder, mas não tinha onde!
— Será que isso é o lago? Mas é muito perigoso! Eu não sei pra onde vou! Senhor Deus Peixuxa, por favor, poupe as minhas barbatanas!
Foi quando ele ouviu uma voz amorosa vinda de fora:
— Qual nome será que você vai ter, hein... já sei! Você é vermelho como fogo, vai se chamar Flame! O Guardião do Fogo!
— Flame? Pô, que nome legal! "Aquele ali grandão" é muito difícil de falar né... — pensou ele.
Capítulo 3: A Descoberta da "Peixilidade"
E aos poucos foi entendendo que poderia se esticar e requebrar sua cauda bem melhor do que o seu colega "aparecido" do lado.
Todos os dias ele recebia comida fresquinha e ficou cada vez mais forte, ganhou confiança. A comida chegava e ele abocanhava três, quatro bolinhas de uma vez, mostrando toda a sua "peixilidade" (a virilidade do peixe).
De repente, sentiu necessidade de ver o sol. Viu de longe que tinha como! Tentou enxergar por ali, mas não conseguia. Começou a sentir muito frio e, para se aquecer, nadava de um lado para o outro até esquentar.
— Flame, você tá com frio, meu amor? Vamos pro sol! Você precisa mostrar esse colorido e essa força que você tem!
Quando foi para o sol, ficou apavorado!
— Preciso me esconder, assim todo mundo está me vendo! Vou enfiar a cabeça nessa pedra roliça aqui!
E dessa forma, passou dias tentando se esconder, sem sucesso. Até que ouviu:
— Flame, não tenha vergonha de ser quem você é. Você é o guardião do estúdio, você protege a energia do ambiente, você nunca reparou nisso?
E ele nunca tinha reparado mesmo. Como é que ele, o "clássico grandão", poderia se tornar um Guardião?
— Bom, pelo menos termina com "ão", então deve ser verdade. Já que eu sou guardião, vou ser então!
Capítulo 4: O Pedido ao Deus Peixuxa
E passou a purificar toda a energia pesada que chegava até ele. Dava-lhe uma rabada e mandava longe! Mas ele se tornou muito forte e grande para aquele "lago". Ele não queria ser mais peixe; queria fluir por todos os ambientes, queria ser energia, fogo, como ele sempre ouvia dizer sobre si mesmo.
— Deus Peixuxa, transforme as minhas lindas barbatanas e cauda em pura energia para que eu possa me locomover cada vez para mais longe. A minha missão como peixe já acabou. Eu descobri que sou um guardião e, para mim, vai ser mais fácil proteger sendo mais rápido... sem peso, sabe?
E assim, foi dormir com muita esperança.
Capítulo 5: De Flame a Flash
Quando acordou, percebeu que estava de frente para o lago onde morava, mas agora podia se mover rapidamente e mudar de cor o tempo todo: uma hora era branco, outra hora vermelho, outra azul. Sentiu-se poderoso e leve, como sempre deveria ser.
De fora do aquário, a sua dona olhou para o estúdio e pensou:
— Nossa, mas como essa placa do YouTube tá brilhante hoje! E eu reparei que a cada dia essa luz se torna mais viva e bonita! Os leds azuis, o ringlight e a placa!
O que ela não sabia é que Flame tinha se tornado Flash. E ele continua protegendo o estúdio, só que dessa vez, fazendo tudo brilhar e ficar colorido!
Deus Peixuxa então sorriu e falou:
— Um peixe vermelho que queria ver o sol e viu; queria um lago e teve; e agora virou pura energia, podendo ir para onde quiser e na velocidade que quiser... Isso dá um livro!


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